03 Mar 2024 Ellipse ATUALIZADO 14:03

Publicado

29/07/2020

Atualizado

31/01/2024
Publicação

O PANON 3 É RESULTADO DA INCAPACIDADE DE DIÁLOGO COM AS COMUNIDADES

Por José Guimarães, Licenciado em Filosofia pela Faculdade Vicentina (Curitiba), especialista em Pesquisa Acadêmica e Científica na Prática Docente, pela Faculdade Bagozzi (Curitiba) e Editor- Responsável do Observatório da Várzea.

Há uma estória que, num certo comício em 2016, o atual prefeito Gustavo Soares, então candidato que já morava em Natal, havia se referido a uma comunidade que sequer existe no município de Assu, o Panon 3. Isso serviu de chacota e de munição para a campanha do seu adversário, Patrício Júnior. Essa estória poderia apenas ter virado um meme e morrido na campanha passada mas, com a teimosia de um espectro assombroso, resiste e se manifesta na gestão do prefeito eleito.

Na semana passada, recebi pelo WhatsApp a seguinte pergunta de uma seguidora, após ver o SAMU passar: “O que aconteceu lá pra baixo?”(pra baixo é quando alguém quer apontar para as comunidades em direção a carnaubais). Como falei que não sabia, ela me contou que, parando numa casa em Nova Esperança, o motorista do SAMU perguntou onde ficava a comunidade do Panon 2, pois precisava socorrer alguém.

O que tem as duas histórias em comum, além de citar o Panon como referência? Tem o descaso com as comunidades e a ineficiência de políticas públicas que não atingem nem conhecem a realidade das comunidades. Poderia ser uma mera coincidência, de algum motorista novato, mas mesmo assim, não responde ao fato de comunidades populosas como as da Várzea estarem a mercê de eventuais coincidências que podem se tornar fatais.

Toda essa introdução é para comentar um outro fato. No início do ano, quando soube do investimento na ordem de R$ 1,2 milhão, proveniente de emenda parlamentar incluída no Orçamento Geral da União – OGU 2020, por iniciativa do deputado federal João Maia, a fim de pavimentação nas comunidades da Várzea, indiquei à vereadora Fabielle Bezerra a necessidade de calçamento de algumas ruas em Nova Esperança (Rua Professora Noêmia, Pedro Borges de Andrade e uma pequena travessa que passa por trás do cemitério) emendando com ruas já calçadas, a fim de desobstruir a única entrada com calçamento que até então existia na comunidade. Uma outra vereadora, na triste competição por “quem faz mais”, apresentou outros nomes de ruas, o que seria inviável para a prefeitura atender todas as ruas apresentadas.

(Sugestão apresentada à Prefeitura Municipal e aprovada pela comunidade)

No entanto, com as indicações das ruas, a comunidade se preparou para receber o benefício do calçamento da rua Professora Noêmia investindo dinheiro dos associados da ASCONE (Associação Comunitária de Nova Esperança) ao trocar, inclusive, a encanação. Na confusão administrativa e politiqueira, quem perdeu foi a comunidade. A prefeitura deixou de executar uma obra necessária e desejada da comunidade para pavimentar pequenas vielas, atendendo ao apelo de quem não a conhece e não sabe das verdadeiras necessidades.

(Sugestão acatada pela Prefeitura, por indicação de outra vereadora)

Portanto, a confusão com as comunidades não se dá apenas no nome que, por si só, já é um escândalo. A confusão vai além, quando uma gestão não se dispõe a dialogar com as lideranças comunitárias, ouvir os apelos da população, se colocar a disposição para entender os anseios do povo, pois está acostumada a fazer tudo de cima para baixo. Esta é uma prática antiga que já não cabe mais nos tempos atuais, onde todos nós temos acesso às informações e desejamos ser partícipes das políticas públicas, desde a criação até execução.

Estamos observando…

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