17 Jun 2024 Ellipse ATUALIZADO 17:13

Publicado

18/11/2022

Atualizado

31/01/2024
Publicação

A poetisa do Santo Antônio

Por Pedro Henrique, poeta e escritor. Bacharel em Direito (UERN), Especialista em Direito Digital (Faculdade Verbo), mestrando em Estudos Urbanos e Regionais (UFRN) e Editor Colaborador do Observatório da Várzea.

O que atravessa uma menina em sua infância rural? Num cenário de muita simplicidade, a imaginação germina, especialmente num solo fértil, como é o Neossolo Flúvico da ribeira do Piranhas-Açu. E por quem ele é penetrado e nutrido. Assim, a poetisa Geralda Margela foi construindo o seu Castelo de Areia. De grão em grão, com o incentivo de sua professora e contadora de histórias – a saudosa Dona Lourdes – do Grupo Escolar da Comunidade de Santo Antônio, cultivando a Semente em suas vivências profissionais, pessoais, o seu gosto pelos livros e a sua sensibilidade em observar a magia da vida cotidiana, nasce uma flor indestrutível. Refiro-me à poesia, essa que nos embala e encanta. Mas, não sem dor.

“Semente que morre, nasce

Nasce com força e vigor

Imite a natureza

Não permita que a tristeza

Indolente sorrateira

Possa lhe causar temor”

Ver o invisível, na ausência de energia elétrica, sob a luz de uma lamparina em Noites de Luar, ou mesmo por entre os grãos de areia depois de “varrer o terreiro todinho” é coisa que só a imaginação poética é capaz de ousar. E não só ver, mas, estar de ouvidos atentos aos ensinamentos das estórias de trancoso, das anedotas, das confissões e partilhas em uma debulha de feijão. São coisas dos sentidos, de quem se permite às brincadeiras de criança:

“Quem entrava na roda de dança

O anel de mão em mão ia passar

No poço para ser o primeiro

Tinha que ter amigo verdadeiro

Para ir correndo salvar

Quando diziam – cadê o grilo?

– Ele está lá atrás; corriam para pegar”

A poética de Geralda Margela nos traz a intimidade e a reverência à vida cotidiana, mesmo daqueles dias que não estamos com o melhor humor, que somos acometidos pela angústia, a saudade, como A “bad” da Vovó, provocada pela distância de sua neta, trazendo-lhe a solidão e a voz alta do silêncio, da ausência. Nesses dias só a sabedoria da Calma é nossa aliada, e nos ajuda a degustar e a ritualizar a rotina, com doses de esperança e coragem para atravessar as tempestades da alma.

Nota: Geralda Margela de Souza Teixeira, nascida em 16 de outubro de 1950 em Assú/RN. É filha de Manoel Anastácio de Souza (Manoel Celestino) e Maria Adorica de Sousa (Dorica). Iniciou seus estudos no Grupo Escolar da comunidade de Santo Antônio. Licenciada em Pedagogia, dedicou-se à educação por mais de 30 anos e, atualmente, é aposentada. Publicou “Perpasso” (Offset, 2022), seu primeiro livro de poesia, em 10 de setembro de 2022. É membro do grupo Celebra-se Poesia e da Associação Literária e Artística de Mulheres – ALAMP.

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