15 Jul 2024 Ellipse ATUALIZADO 08:25

Publicado

17/03/2023

Atualizado

31/01/2024
Publicação

Comunidade quilombola Bela Vista Piató fará parte de pesquisa da UFRN

Por Pedro Henrique, poeta e escritor. Bacharel em Direito (UERN), Especialista em Direito Digital (Faculdade Verbo), mestrando em Estudos Urbanos e Regionais (UFRN) e Editor Colaborador do Observatório da Várzea.

Há alguns meses, um grupo de pesquisadores, vinculados ao Programa de Pós-graduação em Estudos Urbanos e Regionais, Instituto de Políticas Públicas, da UFRN, vêm articulando a realização de um estudo com a população ribeirinha, que vive às margens da Lagoa do Piató, zona rural do Assú. Em maio de 2022, estiveram na sede da Associação Comunitária Quilombola de Bela Vista Piató, a antropóloga e professora Dra. Winifred Knox, a nutricionista e mestranda Louyse Rodrigues e este que vos escreve. A visita exploratória, marcou o início do trabalho de campo da pesquisadora Louyse Rodrigues, que visa analisar os impactos das mudanças climáticas no território do semiárido brasileiro no contexto do Rio Grande do Norte e os seus efeitos na Segurança Alimentar e Nutricional na referida comunidade, localizada na bacia hidrográfica do Piancó -Piranhas-Açu. As visitas à comunidade serão retomadas neste mês de março e a expectativa é que a dissertação de mestrado seja defendida por volta do mês de junho, acompanhado de devolutivas à comunidade e ao poder público local.

A pesquisa é financiada pela FAPERN e tem vinculação com o projeto “Desafios para a gestão socioambiental e de adaptação às mudanças climáticas em cenários de riscos e vulnerabilidades socioambientais em municípios do semiárido do Rio Grande do Norte”. De acordo com Louyse “o estudo na comunidade acontecerá em três fases: no primeiro momento faremos visitas exploratórias para conhecer a comunidade e conversar com as lideranças locais sobre as principais características do local e as relações entre a Lagoa do Piató, as atividades econômicas e de subsistência da região e as mudanças climáticas. Além de conversar com os moradores sobre o papel da cozinha comunitária,que é um importante equipamento social para promoção da Segurança Alimentar e Nutricional e que está presente na Comunidade Quilombola da Bela Vista do Piató, identificando como é a alimentação delas, o que produzem, como funciona a cozinha comunitária e qual o papel de uma cozinha comunitária. Em seguida, com 120 famílias selecionadas de forma aleatória, nas quais responderão a um questionário com 8 questões com respostas dicotômicas (sim ou não) que compõe a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) uma escala que avalia de maneira direta a percepção e experiência com a fome que é uma das dimensões Segurança Alimentar e Nutricional em uma população. E por fim, serão analisados os resultados considerando todas as dimensões da Segurança Alimentar e Nutricional: Nutricional, Ambiental, Cultural e Econômica.”

A entrega da Cozinha Comunitária que Louyse menciona e também de um veículo à comunidade, se refere à contrapartidas feitas pela empresa Engie Energia Brasil, uma das maiores empresas privadas de energia do país, perfazendo um total de 69 usinas, com destaque para produção de energia dita como renovável. A empresa comprou o projeto do Complexo Fotovoltaico Assú Sol, localizado em Assú/RN, cuja capacidade

instalada nominal total é de até 750 MW, que se somam a outros investimentos da empresa no RN da ordem de R$ 2,3 bilhões, para a implantação do Conjunto Eólico Santo Agostinho, nos municípios de Lages e Pedro Avelino, localizados a cerca de 100km de Assú.

A atuação da pesquisadora Louyse na Comunidade Quilombola de Bela Vista Piató, além de suas questões de interesse de pesquisa em torno da alimentação, mudanças climáticas no semiárido, escassez de água, questões relativas à realidade sociocultural da comunidade, a exemplo do reconhecimento enquanto remanescentes quilombolas, também contribuirá com a comunidade, no sentido de construir um panorama dos possíveis impactos das mudanças climáticas na segurança alimentar e nutricional e auxiliar, a partir dos resultados apresentados, a promoção de ações de adaptação e resiliência a essas mudanças climáticas tanto da própria organização política da comunidade, como também do governo local.

Estamos observando…

FONTE:

ENGIE assina compra da Assu Sol. Projeto em Assú (RN) tem capacidade instalada nominal total de até 750MW e está em linha com a estratégia da companhia de investir em fontes renováveis. 28 de setembro de 2021. Disponível em: .

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