15 Jul 2024 Ellipse ATUALIZADO 07:58

Publicado

08/07/2021

Atualizado

31/01/2024
Publicação

FORÇAS ARMADAS ENTRANDO PARA O LIXO DA HISTÓRIA

Por José Guimarães, Licenciado em Filosofia pela Faculdade Vicentina (Curitiba), especialista em Pesquisa Acadêmica e Científica na Prática Docente, pela Faculdade Bagozzi (Curitiba) e Editor Chefe do Observatório da Várzea.

Na sessão da CPI da COVID no dia de ontem, 07 de julho, depois de uma longa jornada, onde “contradições, lacunas, imprecisões e perguntas sem respostas marcam o depoimento do ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias”, o presidente da CPI deu ordem de prisão ao depoente, que é ex-militar. Além disso, mais cedo, Osmar Aziz havia se reportado duramente contra “o lado podre das Forças Armadas”, o que gerou aparente motivo de revolta do Ministro da Defesa que, junto com os comandantes, lançaram dura nota contra o presidente da CPI.

Longe da politicagem estabelecida dentro das Forças Armadas (o que é proibido pela Constituição), temos que analizar algumas coisas. Primeiro, ao contrário do que diz a nota dos militares, não são as Forças Armadas que garantem a Democracia, mas as instituições da República, dentre elas, o Senado Federal e suas comissões. Cabe às Forças Armadas zelar pela Constituição, que é sua maior autoridade. Segunda prerrogativa, as Forças Armadas não servem a nenhum governo, mas ao Estado, que independe de ideologia. A terceira coisa que, na minha opinião é o mais grave, o Ministério da Defesa e as Forças Armadas deveriam se preocupar com os latentes escândalos de corrupção sob a gestão do General Pazuello e tantos militares dentro da pasta que, ao que parece, transformou o Ministério da Saúne no maior propinoduto da história do país.

Feitas as observações, faz-se necessário alertar para o risco de uma baderna na Democracia, no modelo venezuelano tão criticado por Bolsonaro. Nunca se viu tantos militares dentro de um goveno, antes e depois da redemocratização do país. Um clientelismo fardado que, aos olhos de qualquer pessoa que conhece o Brasil, sabe que, se continuar assim, não terminará bem. São tantos os sinais de corrupção que é inevitável não desconfiar das Forças Armadas nesse cenário. Desse modo, o “lado podre” seria uma espécie de metástase que não tem cura.

É chegada a hora das Forças Armadas dar uma resposta além da nota grosseira e autoritária contra um senador da República. Neste caso, a melhor resposta seria colaborar com as investigações (começando pela retirada do silêncio de 100 anos de Pazuello) e ajudar a limpar o Estado desses sangue-sugas que se aproveitaram da maior tragédia sanitária do país para benefício próprio. É o mínimo que a população brasileira espera de um homem de farda: honestidade, valores e justiça.

Quando não observadas posições coerentes com o dever das Forças Armadas, os próprios comandantes lançam sua trajetória na lata do lixo da história do Brasil, pois repetem tudo aquilo que criticavam em suas reuniões regadas a vinhos caros, charutos e caviás, pagos com os impostos dos civis (não servis) que são verdadeiramente os heróis desse país.

Estamos observando…

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