27 Feb 2024 Ellipse ATUALIZADO 20:54

Publicado

01/03/2021

Atualizado

31/01/2024
Publicação

MUSEU QUILOMBOLA EM IPANGUAÇU

Por Paulo Márcio, Graduado em História (UERN Assu), Professor de História e Geografia da rede particular de ensino de Ipanguaçu, Especialista em Educação do Campo, Graduando do curso de Geografia e Editor-Correspondente do Observatório da Várzea em Ipanguaçu.

Hoje vamos tratar a respeito de um projeto museologia social, que está sendo desenvolvido na comunidade de Picadas no município de Ipanguaçu. Mas o que é museologia social? Segundo o IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus) a museologia social: “Tem como seu cerne a defesa de que o museu seja apropriado como uma ferramenta de uso comunitário e participativo, para que as pessoas pesquisem, compreendam, salvaguardem e divulguem suas próprias histórias nos seus próprios termos.” Ou seja, o museu comunitário como espaço vivo e interativo.

O Museu Quilombola da Picada é um desejo, um projeto de memória coletiva da comunidade; uma proposta educativa, cultural, turística e de desenvolvimento local e sustentável. Concebida por agentes culturais locais, jovens e adultos; homens e mulheres; educadores e alunos; artesãos, agricultores e pescadores. Espaço onde serão materializadas suas memórias, identidade e história do povo quilombola. Contar e recontar sua história é manter viva suas raízes.

O projeto do Museu Quilombola da Picada iniciou-se no ano de 2017 através de reuniões realizadas com a comunidade, lideranças das associações locais e ONG CECOP (Centro de Documentação e comunicação Popular), RPTV (Rede Potiguar de Televisão Educativa e Cultural), secretarias municipais e Escola Municipal Nelson Borges. A partir dessa reunião foi criada a Comissão do Museu da Picada quem tem o papel de dialogar com todos seguimentos. Aqui podemos destacar que esses grupos são parceiros.

Mas por que um museu quilombola? Faz-se necessário historicizar que a comunidade da Picada, antiga Fazenda Masa, a mesma pertencia ao Major Manoel de Melo Montenegro. Essa fazenda foi desapropriada no ano de 2005 pelo processo de Reforma Agraria; paralelo a isso a comunidade da Picada foi reconhecida e titulada no ano de 2010 pela Fundação Palmares como Remanescente quilombola. Isso traz a mobilização da coletividade em prol da ocupação de espaços de lutas afirmativas e que garante o fortalecimento da comunidade e de suas causas.

O projeto do museu vem durante esses anos desenvolvendo ações importantes na comunidade da Picada como é o caso das oficinas de fotografia e produção áudio visual, a semana da consciência negra (parceria com a escola) e o acampamento com a juventude; o museu vem se construindo através de um processo participativo, educativo e cultural continuado, de capacitação e potencialização do sonho e protagonismo dos atores locais. Com esse projeto serão realizadas capacitações em bioconstrução (tendo o barro como matéria prima no estilo superadobe), organização comunitária, inventário participativo e projeto expográfico. As capacitações serão realizadas pela ONG CECOP e por outras instituições parceiras.

O trabalho de implantação do Museu Quilombola da Picada já teve reconhecimento internacional, através da conquista do Prêmio Ibermuseus de Educação. O Museu conquistou o primeiro lugar entre 158 projetos de 15 países de Língua Portuguesa e Espanhola pelo trabalho educativo inovador que realiza na área de museologia social. No inicio desse ano foi contemplado com na Lei Aldir Blanc nos âmbitos municipal e estadual. Lembrando que o Museu Quilombola da Picada ainda não tem espaço físico.

ESTAMOS OBSERVANDO…

0 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    POSTS RELACIONADOS