03 Mar 2024 Ellipse ATUALIZADO 11:57

Publicado

09/03/2021

Atualizado

31/01/2024
Publicação

VÁRZEA HISTÓRICA: PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO

Por José Guimarães, Licenciado em Filosofia pela Faculdade Vicentina (Curitiba), especialista em Pesquisa Acadêmica e Científica na Prática Docente, pela Faculdade Bagozzi (Curitiba) e Editor Chefe do Observatório da Várzea.

Em dezembro de 2018, acompanhado por amigos e estudantes varzeanos, percorremos as comunidades mais antigas da Várzea do Assú, que compreendem Santo Antonio, Martins, Estêvão e Comboieiro, numa aventura de moto que durou uma manhã inteira, fazendo reconhecimento e registrando o que ainda existe de pé.

São comunidades nascidas entre o Rio Piranhas e Rio Panon, tipicamente varzeanas no sentido mais restrito da palavra. São o berço das comunidades da nova Várzea que conhecemos hoje, ao longo da RN 016, emergidas no “pós enchente de 1974”, com exceção de Panon II e Nova Esperança, que já existiam no final do século XIX.

As comunidades da Várzea Histórica eram o elo entre Assú e Carnaubais Histórica, que também sofreu a mesma diáspora, pelos mesmos motivos. Eram comunidades vivas, tendo sua centralidade na comunidade do Martins, que contava com uma efervescência econômica e cultural, jamais vista depois das enchentes. Lá, na famosa Martins, existiam lojas, mercearias, pastoril, delegacia, locais de bailes dentre outras inúmeras atrações que estão gravadas na memória do povo.

Estamos falando de uma história ainda guardada na tradição oral que precisa ser recontada e registrada em livro que pretendo escrever, com a colaboração daqueles que, como eu, sonham e se aventuram na história local, na esperança de que não seremos esquecidos. É, de longe, uma história digna de ser resgata e incentivada pelo poder público, a fim de fomentar a identidade de nosso povo que, com a diáspora das enchentes, se espalhou e perdeu os vínculos familiares e, digamos, quase tribais que formava o rosto dessa gente.

Pensando assim, sonho com um resgate desta história e com dias em que, com incentivo público e privado, teremos projetos culturais e educacionais que revisitem nossa história, numa espécie de caravana capaz de tocar no passado, despertando para um futuro onde nossa identidade seja preservada através de um museu ou memorial onde possamos ficar de frente com a herança de nossos antepassados.

Estamos observando…

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