05 Mar 2024 Ellipse ATUALIZADO 06:51

Publicado

22/11/2023

Atualizado

31/01/2024
Publicação

Várzea ocupa o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial no município de Assú

Por Pedro Henrique, poeta e escritor. Bacharel em Direito (UERN), Especialista em Direito Digital (Faculdade Verbo), mestrando em Estudos Urbanos e Regionais (UFRN) e Editor Colaborador do Observatório da Várzea.

Fiquei feliz e pensativo quando recebi o convite para representar o segmento dos meios de comunicação do município de Assú para compor o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial – COMPIR. O convite foi feito por Thayse Moura, uma amiga varzeana dos tempos do IFRN que compartilhou comigo os trajetos em ônibus superlotados e mesmo caronas amigas até o município de Ipanguaçu, e que atualmente está como assistente social e coordenadora de promoção à igualdade racial em Assú. O motivo de minha reflexão não se deu em razão de duvidar da relevância da Associação Comunitária de Comunicação e Cultura da Várzea do Assú para o nosso Vale; ao contrário, o trabalho voluntário que jovens como eu e demais associados vêm intentando nesse torrão é um ato de resistência por inúmeras razões. Coisas para um outro texto! Ver Thayse à frente dessa missão também me deixou esperançoso, confesso. No entanto, pensei: pode uma pessoa autodeclarada branca contribuir com a luta antirracista? Será?

Ao longo do percurso enquanto pesquisador, atualmente vinculado ao Instituto de Políticas Públicas da UFRN, venho me dedicando em dar visibilidade às questões enfrentadas por comunidades tradicionais de forma estrutural, seja pelo racismo a elas impostas, que de forma reiterada impõe más condições de vida e, muitas vezes, a servidão, seja pelos conflitos oriundos da usurpação de seus territórios pelo capital travestido, por exemplo, de energias limpas, mas que na verdade estão mais preocupadas com lucro e concentração de riquezas para empresas estrangeiras do que com uma perspectiva de uma economia distributiva em nossa região. Exemplo disso são as empresas de fruticultura irrigada em nosso Vale, explorando nosso solo e riquezas, e agora só nos restam os latifúndios desertos e improdutivos. Desse modo, fortalecer as iniciativas populares em associações e coletivos é urgente para defender nossos territórios. Mesmo assim, ainda paira a dúvida: seriam essas vivências acadêmicas e em movimentos sociais suficientes para legitimar a minha participação nesse importante instrumento de Políticas Públicas de enfrentamento de injustiças e promoção da igualdade racial? Continuo sem ter uma resposta.

Resolvi aceitar o convite pensando muito menos em protagonizar o processo, e mais por estar próximo das discussões, talvez pela curiosidade do pesquisador que venho lutando para me tornar. Em todo caso, olhando com outros olhos, ver a Várzea assim, ocupando espaços de decisão importantes por diversas frentes para além das questões partidárias e de uma lógica provinciana que só beneficia antigos senhores, parece indicar que estou no caminho certo. Se o caminho se faz caminhando, vamos juntos e juntas construir outro mundo. Prometo ser um bom ouvinte e aprendiz.

Estamos observando…

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