03 Mar 2024 Ellipse ATUALIZADO 13:24

Publicado

09/09/2020

Atualizado

31/01/2024
Publicação

RELIGIÃO E SUICÍDIO: OS PERIGOS DO FANATISMO RELIGIOSO

Por Igor Apolônio, graduando de Agronomia e Editor- colaborador do Observatório da Várzea.

Por muito tempo fomos levados a acreditar que a consequência extrema de algo indubitavelmente sério são coisas banais. O suicídio é uma realidade, a qual revela a nossa impotência diante de diversos fatores no que diz respeito às nossas relações sociais. Nunca podemos afirmar exatamente como nosso amigo, familiar ou qualquer outra pessoa pode estar se sentindo. Vivemos inseridos num espectro social que exige muito de todos, de diferentes formas, e qualquer pessoa está susceptível as calamidades acometidas cientificamente por problemas de saúde, psicológicos e por vezes, psiquiátricos.

As causas do suicídio podem ser diversas. Entre as mais recorrentes, podemos destacar a depressão e outras doenças relacionadas, como a ansiedade (considerada o mal do século). Outras causas comuns são: bullyng, uso abusivo de drogas, violência sexual e doméstica. Vale entender que um abismo leva ao outro, nesses casos.

Desconsiderando a ciência e a lógica, líderes religiosos incentivam e propagam informações incoerentes e por vezes, indelicada. É comum que se afirme em altares e púlpitos que os motivos que levam ao suicídio estão atrelados a fraqueza, falta de Deus ou até a falta de amor familiar, conjugal ou outros. Partindo de premissas próprias e afirmando conceitos bíblicos isolados, é comum ouvirmos até que o suicídio é um pecado condenatório que leva direto ao inferno.

Existe uma distinção entre pecado e pecador e aí temos que considerar que todos nós pecamos e que todo pecador é sensível a misericórdia de Deus. O momento que separa a decisão da consequência, é individual e decisivo. O Deus da bíblia é onisciente para saber as dores, enfermidades e angústias que levam o ser humano a tirar a própria vida. Julgar alguém baseado em crenças individuais também é pecado e somado a isso, vemos o desrespeito a família e enlutados da vítima.

O Papa Francisco bem ilustrou a situação quando disse: “O suicídio seria como fechar a porta à salvação, mas tenho consciência de que nos suicídios não há plena liberdade. Pelo menos acredito nisso. Ajuda-me o que o Cura d’Ars disse à viúva cujo esposo se suicidou jogando-se de uma ponte em um rio. Disse: ‘Senhora, entre a ponte e o rio está a misericórdia de Deus.”

Sejamos pois, sensíveis ao próximo, não impondo nossas crenças pessoais enquanto verdade absoluta. Nem expressando ódio e condenações sem nenhuma propriedade para tal. Para além disso, enquanto seres que convivem em sociedade, temos a obrigação de agirmos com gentileza em nossas relações interpessoais, afinal, nunca sabemos o que nosso irmão do lado pode estar enfrentando em sua mente.

Neste setembro amarelo, que nos completemos de compaixão e que se pregue mais o amor, em todos os seus amplos sentidos.

Estamos Observando…

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