23 Jun 2024 Ellipse ATUALIZADO 04:54

Publicado

18/06/2023

Atualizado

31/01/2024
Publicação

São João de Assú mostra que música é arte e o gosto pessoal não lhe torna melhor que o outro

Por Silvino Júnior, graduando em jornalismo (UERN), Assistente de Planejamento da Produção (SENAI) e Editor Colaborador do Observatório da Várzea.

O Show de Flávio José neste sábado (17) em Assú foi um alento para os que amam a cultura nordestina raiz em tempos onde forrozeiros tradicionais perdem espaço para sertanejos universitários. Entanto, discordo daqueles comentários que falam “isso sim é música e aquilo não”… Essa história de que São João, na modernidade atual, deveria ser pautado apenas no forró tradicional não passa de “lacre” e “soberba”, ao meu ver. É nítido que a festa afugenta o público se não contar com uma grade variada, que reúna artistas em alta no mercado e que atenda os anseios da galera mais jovem. Música é arte, cada um curte o que gosta, mas o gosto pessoal não lhe torna melhor que o outro que prefere outro gênero musical.

Não sou a favor desse tom de discurso em que alguém se coloca em um parâmetro para medir a “qualidade” de uma música e condena as preferências musicais do próximo.

Entendo que a música nordestina vai além dos artistas que a elite sudestina aprovou. E que, de fato, faz falta neste período de São João a força de um Alceu Valença, do próprio Flávio José, que recentemente foi desrespeitado em Campina Grande após ter seu show reduzido para Gustavo Lima, um Mastruz com Leite, Limão com Mel, Forrozão Tropykalia, além dos artistas locais que também merecem reconhecimento e valorização e por aí vai…

O próprio show de Bell Marques em Assú, ocorrido no dia 16, mostrou que ele é um artista fora do eixo forró/sertanejo/arrocha, que no São João buscou misturar seus clássicos com arranjos típicos dessa época.

São João é tradição, é forró, licor, fogueira, sanfona, bandeirinhas e também muita diversão, merece reverência e respeito sempre. Mas não dá pra viver em um conto de fadas e achar que a tradição será como antes. Não adianta ficar só no discurso. Aprecie os artistas que mais você gosta, esteja presente nos shows, busque olhar o evento por uma perspectiva plural, onde você também possa se sentir confortável, acolhido e pertencido dentro da estrutura atual, sem precisar julgar o outro.

Estamos observando.

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